“Não adiantaria se eu gritasse, não adiantaria nenhum sinal que eu fizesse, fosse ele com um sinalizador potente ou até mesmo de fumaça. Seus olhos nunca conseguem ver o que eu faço por você, nunca enxergam os meus joelhos esfolados de tanto cair sem ter você por perto. Um paraíso na escuridão. Talvez eu também devesse fechar meus olhos, ficar cego para você, parar de ser para você isso que tento ser a todo instante. Tentar suprir suas necessidades. Tenho que deixar de ser para você aquilo que eu nunca quis ser para mim. Porque com você tudo soa diferente. Eu fico sem voz, sem o que eu sou. Perco-me nesses seus olhos marrons, e seu sorriso originalmente torto e ao mesmo tento iluminador de minhas noites escuras e dias cinza. Com você, é diferente. Não é clichê, é estranho.
Não adiantou gritar. Não adiantou fazer barulho e muito menos chorar, chorar até secar e ficar oco. Não adiantou pedir sua estadia para sempre e nem falar que dói em mim. Não adiantou dizer que sem você eu não consigo seguir. Não adiantou nenhum suplica. A única coisa que adiantou, é que depois que você me deixou me tornei escritor, escritor que só sabe falar de você, da pessoa que me deixou e me abriu um buraco que não se fecha em meu coração. A única coisa que adiantou, é que depois desses quase seis meses que você foi embora, eu descobri que sofro da síndrome do coração partido. Sim, é real essa síndrome, pode pesquisar no Google, ou pesquisar com um profissional adequado, descobri que tenho esse mal ontem. Ela faz o coração doer de tanta tristeza, e pode até morrer. E saber que mata, me aliviou, pois pelo menos a dor acaba. Pelo menos evito o ato pecador de ser um suicida e viro uma vitima, vitima de você e desse amor que me corroeu a cada linha escrita, cada parágrafo, e em cada vírgula errada ou certa.
Não adiantou nada, e você se foi. Meus dedos doem de tanto que escrevo sobre um amor que não deveria ser amor; de uma pessoa que eu não deveria ter conhecido e de um nós que deveria ter ficado apenas num pensamento sem algo concreto. Porque a gente pensa e quer tanto que acaba não tendo do jeito que queríamos e pensávamos. E eu te quis tanto e passei tantas e tantas noites em claro pensando em você e querendo tanto você, que agora só tenho as lembranças, só tenho a dor deixada pela sua partida. Só tenho aquilo que eu não queria ter: não ter você. E não adianta agora uma tentativa falha de gritar você, porque agora é mais que claro, você não volta, você não vem. Agora tudo se esclarece, talvez não tenhamos nascido um para o outro, ou algo do tipo. Porque tínhamos tudo para acertar; tínhamos o amor, você e eu, tínhamos também a precisão um do outro e de repente como um passe de mágica o seu amor por mim se esvaiu e você se foi e apenas eu restei de nós e eu não posso amar sozinho, porque amar e não ser amado é desgastante e devastador, porque te amar deveria ser algo que me fizesse bem e agora não faz tão bem, não quando você finge não me enxergar e finge me esquecer. Amar e ter duvida se um dia ou se ainda me ama, me destrói.
Não adiantou gritar e muito menos fazer sinal de fumaça para você ficar e agora, agora tudo se resume no meu amor e a síndrome do coração partido. Não adiantou chorar e muito menos chorar até secar. Eu deveria ter ido antes, mas esperei que você ficasse. Então, o que restou? Restou eu e a solidão e síndrome, síndrome do coração partido.”
— Eu, solidão e a síndrome do coração partido — Lucas Rodrigues, LR.

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